Histórico

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I - ESTUDOS SOBRE MULHER;

LITERATURA: HISTÓRIA, AVALIAÇÃO, PERSPECTIVAS

Constância Lima Duarte*

Até recentemente — é fato conhecido — o estudo de questões relativas à mulher e sua representação  na literatura não era considerado um objeto legítimo de pesquisa. A consolidação de trabalhos dessa natureza nos meios acadêmicos brasileiros data de poucos anos, quando grupos de pesquisadores tomaram a iniciativa de se reunir para desenvolver estudos, apresentar os resultados de suas pesquisas e discutir textos teóricos relativos ao tema.

A tendência de expansão dessa linha de trabalho revela-se indiscutivelmente significativa, se observamos o número sempre crescente de dissertações, de teses de doutorado, de pesquisas apresentadas em Congressos e de publicações relativas à mulher na literatura.

A criação em 1984 da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Letras e Linguística — a ANPOLL — e a formação do GT Mulher e Literatura1, permitiu de certa forma que os pesquisadores legitimassem o tema e constituíssem um fórum para a apresentação e discussão de seus trabalhos. Também a criação da ABRALIC — Associação Brasileira de Literatura Comparada, em 1986, contribuiu para a reunião sistemática dos professores, constituindo-se também num espaço privilegiado de divulgação de pesquisas. O volume de estudos em torno do tema mulher em Congressos da ABRALIC pode ser verificado quando observamos que em três congressos — de 1987, 1988 e 1989 — dos 96 papers apresentados, 30 se referiam a essa temática, segundo levantamento de Heloísa Buarque de Holanda.

Mas, mesmo antes da criação dessas importantes associações, grupos de professoras já haviam tomado a iniciativa de organizar, desde 1985, alguns encontros sob a denominação: Seminário Nacional Mulher & Literatura — que prepararam o terreno para a imediata expansão do Grupo de Trabalho ligado à ANPOLL e garantiram o significativo impulso no que diz respeito à sua respeitabilidade dentre os demais GTs.

Diferente dos encontros realizados pelo GT da ANPOLL (composto de um grupo de professores e limitado pela estrutura maior do encontro bi anual da Associação), o Seminário Nacional Mulher & Literatura se caracteriza principalmente por promover uma maior divulgação de trabalhos e pesquisas nos meios acadêmicos; por seu caráter interdisciplinar; pelo deslocamento por diferentes universidades brasileiras; bem como pelo empenho em possibilitar uma atualização, na medida em que busca um intercâmbio com especialistas nacionais e estrangeiros.

Assim, as diversas oportunidades de encontros anuais — os seminários, os congressos da ANPOLL e os da ABRALIC — apesar de relativamente recentes, têm permitido um rico intercâmbio de experiências entre estudiosos de diferentes instituições e nacionalidades, a divulgação dos resultados de pesquisas e trabalhos críticos, bem como o estabelecimento de linhas de pesquisa sobre a mulher nos cursos de pós-graduação e departamentos de língua e literatura, a ponto de se configurarem numa referência obrigatória na área de estudos em questão.

Aos poucos estamos realizando, por exemplo, o mapeamento desse campo de estudo nas Universidades brasileiras, a articulação de intercâmbios entre os pesquisadores, o debate com teóricos estrangeiros, aliás, decisivo para uma maior abertura teórica dos trabalhos e para o contato dos pesquisadores nacionais com as novas tendências da crítica praticadas no exterior.

Inicialmente as investigações privilegiavam grandes linhas intituladas "Mulher e Literatura: Perspectivas teórico-críticas", "Representações do Feminino no Texto Literário", "Literatura e Feminismo" (enfoque sócio-histórico), "Literatura e o Feminino" (enfoque psicanalítico) e "Literatura e Mulher" (enfoque estético-formal), que tentavam dar conta da diversidade de trabalhos que tratavam desde questões de caráter teórico acerca da linguagem e sexismo, à presença da mulher em literaturas de línguas estrangeiras, aos estudos acerca da mulher enquanto escritora de ficção, à mulher enquanto personagem de textos literários, à mulher negra, às escritoras latino-americanas, às relações entre mulher, história e sociedade, bem como às questões como gênero e ruptura, erotismo, alteridade e subversão, mitos, mulher e dramaturgia e identidade social, e os aspectos teóricos e metodológicos da crítica feminista.

A preocupação com o resgate de escritoras e a análise de obras antigas também se evidenciou como uma promissora linha de pesquisa, tendo em vista a necessária revisão do cânone literário e o questionamento dos critérios normativos definidores da qualidade de um texto literário. Consideramos da maior importância o conhecimento do passado como um pressuposto para o estabelecimento de uma memória cultural.

É por demais conhecido que muitos cursos de literatura e de cultura estão centrados em autores do sexo masculino, brancos e mortos. E que europeus e americanos detêm o monopólio do "Ocidente", englobando aí as categorias do "universal" e, conseqüentemente, do que seriam os "valores universais", estabecendo um único cânone e ignorando sistematicamente a diversidade de etnias, de gêneros e de culturas com que as sociedades são constituídas.

A ampliação do cânone defendida pelos multiculturalistas pretende levar em conta a excelência da realização formal da obra e, a partir de uma abertura cosmopolita, contemplar obras que ultrapassam sua cultura específica, tanto pela profundidade com que captam a realidade particular, como pela capacidade de transmitir a percepção deste particular a outras esferas e, não, como dizem alguns, refletir unicamente uma preocupação de ordem geográfica, étnica ou de gênero.2 Uma literatura limitada apenas ao horizonte de gênero ou de etnia, é forçoso admitir, torna-se uma literatura restrita a um campo muito estreito de visão. Seria, por exemplo, como Roberto Reis aponta, reduzir drasticamente a importância de Virgínia Woolf ou Clarice Lispector se considerássemos a literatura que produziram apenas como feminista, ou a de Lima Barreto como literatura negra, apenas porque os autores puseram em destaque uma luta específica.

Este movimento de revalorização da literatura escrita por mulher pretende ler os textos no sentido de re-ver com outro olhar, independente das amarras do preconceito de gênero. A crítica do desagravo — na conhecida expressão de Jean Franco — é plenamente justificada quando se lembra da mitificação promovida pela ideologia patriarcal em cima dos textos escritos por mulheres. Na trajetória desta crítica, algumas investigações se dirigiram para o reconhecimento e a identificação da representação ou da imagem da mulher na literatura, e da busca de escritoras sem tradição literária própria. Outras, contemporaneamente, têm como elementos comuns a crítica da cultura ocidental, a partir das teorias pós-estruturalistas que desmontam o conceito de identidade, e postulam a mulher como uma construção ideológica.

O esforço que vem sendo realizado na área da pesquisa, hoje em nossas universidades por algumas dezenas de pesquisadores, tem permitido pouco a pouco a reconstrução da história da cultura feminina brasileira. A diversidade dos aspectos investigados, aliada a um aprofundamento do conhecimento teórico metodológico, aos poucos começam a atender aos principais problemas inerentes aos estudos, ao mesmo tempo em que mais e mais questões se colocam a todo instante.

O aumento substancial no número de seminários específicos sobre a mulher, de cursos a nível de extensão e de pós-graduação, de teses e de monografias, bem como das publicações sobre o tema, está revertendo com rapidez um quadro, cuja carência apontávamos há bem pouco tempo. Se fosse o caso de querermos apreender a configuração atual das experiências no campo da mulher e da literatura em nossas universidades, poderíamos talvez sintetizá-las em poucas palavras: estamos trabalhando na reconstrução e na crítica de modelos, de modo a tornar compreensível e instigadora a perspectiva feminina. Estamos naturalmente contribuindo para a revisão dos valores normativos do cânone literário, ao apresentarmos a todo instante novas escritoras e novas obras, em tudo merecedoras de aí serem incluídas. Também, tornou-se uma questão política de grande premência verificar como a raça, o gênero, a classe e as preferências sexuais se interagem.

Como a abertura interdisciplinar é fundamental para enriquecer as discussões em torno das representações literárias da mulher e das peculiaridades de ação das escritoras, têm sido convidados a colaborar nos encontros não só pesquisadores vinculados às Letras, como, também, professores de outras áreas, tais como Antropologia, História, Lingüística e Psicologia. Dentre os diversos conferencistas com quem tivemos a oportunidade de debater, lembro Ria Lemaire (Universidade de Utrecht), Darlene Sadlier (Universidade de Indiana), Malcolm Coulthard (Universidade de Birmingham) e Nara Araújo (Universidade de Havana), que muito contribuíram para uma maior abertura teórica bem como para o intercâmbio entre os pesquisadores nacionais e as novas tendências da crítica praticadas no exterior.

Além de Palestras e Mesas-redondas de professores, os encontros e Seminários têm contado também com a presença de escritoras, como Lya Luft, Sônia Coutinho, Marina Colasanti, Rachel de Queiroz e Helena Parente Cunha, entre outras, que dão depoimentos acerca do trabalho literário e estabelecem relações entre seu trabalho e o contexto histórico e social brasileiro.

Em 1993 tornou-se evidente a necessidade de reformular as linhas de pesquisa do GT da ANPOLL, tendo em vista as especificidades e diversidades das investigações e o fato de que elas se constituíram na base de sustentação dos estudos sobre mulher e gênero, no quadro teórico-crítico contemporâneo de nossos cursos de letras. As linhas de pesquisa tomaram, então, a configuração que possuem no momento atual e se organizaram em torno de, principalmente, três grandes eixos: "Teoria e crítica feminista: vertentes", "A questão do Cânone", e "Gender — estudos de gênero".3

Um dos fatores que considero decisivo para a afirmação dos estudos "Mulher e Literatura" junto à comunidade acadêmica, foi a publicação de um Boletim Informativo desde a primeira reunião, contendo informações acerca dos participantes, as pesquisas, publicações, os cursos ministrados em pós-graduação e as teses defendidas sobre a temática, além dos textos apresentados e debatidos no encontro. O Boletim tornou-se o principal veículo de divulgação das atividades realizadas pelo grupo, ao mesmo tempo que tem viabilizado o intercâmbio e a troca sistemática de experiências profissionais neste campo específico de investigação.

Hoje, os estudiosos e pesquisadores brasileiros enfrentam novos desafios. Uma vez consolidada a temática e, principalmente, legitimada a investigação acadêmica nesta área do conhecimento, cabe ao grupo verificar a capacidade de os estudos de cunho feminista intervirem na práxis cotidiana dos cursos de letras e de fornecerem um novo corpus teórico e metodológico para a crítica literária, não só a nível de pós como de graduação. Além disso, deve incrementar ainda mais a interação dos pesquisadores e a criação de grupos de pesquisa envolvendo diferentes instituições. Afinal, a consolidação do grupo não ocorre apenas devido à participação em congressos. A realização de ações conjuntas pode definir uma nova etapa na história dos estudos da mulher e da literatura, e contribuir para que nos constituamos, efetivamente, como um grupo de trabalho. Só assim — acredito — estaremos contribuindo efetivamente para a revisão e reconstrução da história literária de nosso país.

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* Doutora em Literatura Brasileira pela USP; Professora de Literatura Brasileira da UFMG Coordenadora do GT "A Mulher na Literatura", da ANPOLL, no biênio 94-96.
1 O GT Mulher e Literatura foi criado por sugestão da Profa. Susana Bornéo Funck, da UFSC.
2 Cf. Jornal Folha de São Paulo, 13/08/95.
3 Nota da coordenação do GT: Em reunião do GT ocorrida em Salvador, durante o VII Seminário Nacional, em setembro de 1999, as linhas temáticas de pesquisa do grupo foram reformuladas. Para maiores detalhes acerca das alterações, ver o "Plano de Atividades do GT".


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II - OS SEMINÁRIOS NACIONAIS PATROCINADOS PELO GT 4

Diferente dos encontros realizados pelo GT A Mulher na Literatura da ANPOLL (composto de um seleto grupo de professores e limitado pela estrutura maior do encontro bianual da Associação), o Seminário Nacional Mulher & Literatura está se caracterizando principalmente por promover uma maior divulgação de trabalhos e pesquisas nos meios acadêmicos; por seu caráter interdisciplinar; pelo deslocamento rumo a diferentes universidades brasileiras; bem como pelo empenho em possibilitar uma atualização, na medida em que busca um intercâmbio com especialistas nacionais e estrangeiros.

Assim é que, desde 1985, seminários vêm sendo organizados por professores e pesquisadores ligados à linha de trabalho Mulher e Literatura. Apesar de relativamente recentes, esses encontros têm permitido o intercâmbio de experiências entre estudiosos de diferentes instituições e nacionalidades, a divulgação dos resultados de pesquisas e trabalhos críticos e o estabelecimento de linhas de pesquisa sobre a mulher nos cursos de pós-graduação e departamentos de língua e literatura, a ponto de estarem se tornando uma referência obrigatória na área de estudos em questão.

A primeira iniciativa de mobilização dos pesquisadores preocupados com a questão Mulher e Literatura foi de um grupo de professoras da UFSC, liderado pela Profa. Susana Funck, que realizou, em julho de 1985, o Seminário Regional sobre a Mulher na Literatura, com o propósito de mapear esse campo de estudos na Universidade e articular um intercâmbio entre pesquisadores regionais. Desde esse primeiro seminário, a surpresa ficou por conta da adesão de uma platéia em número bem superior ao esperado, bem como do número surpreendente de pesquisas que estavam sendo realizadas nas diversas instituições de ensino superior.

De 19 a 23 de outubro de 1987 ocorre o I Encontro Nacional A Presença da Mulher na Literatura, em João Pessoa (PB), sob a coordenação das professoras Maria das Vitórias de Lima Rocha e Maria Vilani de Souza. O apoio necessário à sua realização veio através do Conselho Britânico, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, do CNPq, do DAAD, do PRAC e da USIS.

Esse Encontro representou um significativo marco na trajetória das reuniões dos pesquisadores da área, por ter sido o primeiro a promover a aproximação de professores de diversos Estados brasileiros, como, também, por ter contado com a presença de teóricos estrangeiros vinculados à questão da mulher na literatura. Os conferencistas - Darlene Sadlier (Indiana University) e Malcolm Coulthard (Birmingham University) - contribuíram decisivamente para uma maior abertura teórica dos debates e permitiram o contato dos pesquisadores nacionais com as novas tendências da crítica praticadas no exterior.

Dentre as conferencistas nacionais estavam Susana Funck (UFSC), Carmen Rosa Caldas-Coulthard (UFSC), Regina Zilberman (PUC-RS), Ivone Pessoa Nogueira (UFPB) e Letícia Niederauer (UFPB). A tônica dos trabalhos esteve principalmente em torno de questões de caráter teórico acerca da linguagem e sexismo, e da presença da mulher em literaturas de línguas estrangeiras, como o inglês e o francês.

Já no ano seguinte - de 10 a 12 de agosto de 1988 - acontece o II Encontro Nacional Presença da Mulher na Literatura, em Porto Alegre (RS). A Comissão Organizadora era composta dos professores Rita Terezinha Schmidt, Élvio Funck, Gilda Neves Bittencourt, Márcia Hoppe Navarro, Graciela de Quijano, Míriam Barcellos Goettems e Sandra Maggio. E contava com o apoio do CNPq, CAPES, Fulbright, Conselho Britânico, FAPERGS, PROPESP, CODEC e COTAM.

A experiência acumulada nos encontros anteriores fez com que a programação praticamente triplicasse em número de participantes, e fosse mais representativa do perfil de pesquisas que então estavam sendo realizadas nas universidades brasileiras. Os trabalhos foram agrupados em torno de três grandes linhas de pesquisa, intituladas na ocasião de: "Mulher e Literatura: Perspectivas teórico-críticas", "Representações do Feminino no Texto literário", e "Do Silêncio à Palavra: o Processo Cultural e a Construção do Feminino".

Também nesse Seminário contamos com a participação de teóricos e críticos estrangeiros, como Darlene Sadlier (Univ. de Indiana, EUA), Ellen H. Douglass (Univ. de Brown, EUA), Maggie Humm (Esc. Politécnica de Londres), Nicteroy N. Argãnaraz (Univ. do Uruguai), Ria Lemaire (Univ. de Utrecht, Holanda) e Jean Franco (EUA). Outro salto qualitativo a ser contabilizado foi a publicação - na Revista Organon - dos trabalhos apresentados.5

O II Seminário revelou de forma definitiva a necessidade de os pesquisadores se reunirem periodicamente para divulgar e debater seus trabalhos e estudos na área da crítica, assim como permitiu a identificação e organização dos grupos envolvidos nos estudos sobre a mulher na literatura. Verificou-se na ocasião que, se uma quantidade considerável de investigações se detinha em estudos acerca da mulher enquanto escritora de ficção, um outro volume de trabalhos se voltava para a questão da mulher enquanto personagem de textos literários. A preocupação com o resgate de escritoras e o estudo de obras antigas também se evidenciou nesse momento como sendo uma linha de pesquisa de um grupo de professoras.

Em 1989 - de 4 a 6 de outubro - acontece em Florianópolis (SC) o III Seminário Nacional Mulher & Literatura, sob a coordenação da professora Susana Funck, que vem contribuir para ampliar a articulação nacional entre os pesquisadores do tema. Se até esse momento predominavam participantes oriundos de Estados do Sul e Nordeste, a partir de agora teremos a presença significativa de Universidades dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Um outro aspecto dos trabalhos é observado: finalmente as pesquisas envolvendo a literatura nacional se impõem e até ultrapassam em número as apresentações de trabalhos relacionados a literaturas estrangeiras. E o debate em torno de aspectos teóricos e metodológicos da crítica feminista se consolida dentre as preocupações dos estudiosos da questão da mulher na literatura. Nancy Miller e Janet Montefiori foram os nomes internacionais desse encontro.

A Comissão Organizadora reuniu as comunicações em grupos temáticos o que permitiu que as sessões se configurassem realmente enquanto uma troca de experiência e de contribuição bibliográfica. Foram, ao todo, cento e quatro trabalhos apresentados em vinte e quatro sessões que tratavam de questões relativas à Literatura do séc. XIX na Europa e no Brasil, à Mulher Negra na América, a Escritoras Latino-Americanas, a Imagens de Mulher, às relações entre Mulher, História e Sociedade e às Escritoras Brasileiras Contemporâneas, bem como questões como Gênero e Ruptura, Erotismo, Alteridade e Subversão, Mitos, Mulher e Dramaturgia e Identidade Social.

Uma alteração na organização dos Seminários ocorrerá a partir deste ano. Ficou acertado entre os participantes que as reuniões do Seminário passariam a ter um caráter bi-anual e em alternância com os Encontros do GT Mulher e Literatura promovidos pela ANPOLL. Desta forma, os pesquisadores dessa linha de pesquisa continuariam a ter a possibilidade de participar anualmente de eventos que visam à divulgação de trabalhos, sem o risco de ter que optar por participar de um ou outro evento, no caso de eles acontecerem em datas muito próximas.

A Universidade Federal Fluminense sediou o IV Seminário Nacional Mulher & Literatura, que acontece de 26 a 28 de agosto de 1991, em Niterói (RJ). A organização conta com os nomes de Lúcia Helena Vianna, Heloísa Buarque de Holanda, Laura Padilha, Marília Rothier Cardoso, Silviano Santiago e Edson Rosa da Silva; e o apoio institucional da ABRALIC, CIEC, CNPq e FINEP.

O aumento considerável da produção acadêmica nessa área de estudo, observado no último Encontro, levou os organizadores do IV Seminário a submeter os trabalhos inscritos a um prévio exame crítico, de modo a permitir uma maior discussão em torno das questões veiculadas nos textos. Foram, então, selecionados vinte e quatro trabalhos que se distribuíram entre as conferências e mesas-redondas previstas na programação. O Encontro atingiu plenamente os objetivos de promover o intercâmbio de experiências entre estudiosos de diferentes instituições, regiões e nacionalidades e a abertura interdisciplinar da crítica feminista.

Os objetivos interdisciplinares - as relações entre Literatura, História e Psicanálise - se concretizaram principalmente através das conferências pronunciadas por Margo Glantz (Univ. Autônoma do México), Maximilien Laroche (Universidade de Laval), Anabel Salafia e Norberto Ferreyra (Escola Freudiana da Argentina). Os trabalhos apresentados foram reunidos e publicados nos ANAIS do IV Seminário Nacional Mulher e Literatura6 , numa primorosa edição, bem à altura da qualidade do material.

O V Seminário Nacional Mulher & Literatura aconteceu entre os dias 1, 2 e 3 de setembro de 1993, sob a coordenação da professora Constância Lima Duarte, com o propósito de se prosseguir com o necessário e oportuno deslocamento dos professores por diferentes universidades brasileiras. Considerando que boa parte dos congressos realizados no país acontecem sistematicamente nos Estados do Sul e Sudeste, pretendia-se com o deslocamento ampliar ainda mais a participação de professores das regiões Norte e Nordeste, assim como permitir que nossos alunos de graduação e de pós-graduação tenham a oportunidade de participar de um evento nessa área, com especialistas de projeção nacional e internacional. Também, pretendia-se, no V Seminário, em Natal, a exemplo dos anteriores, promover o intercâmbio de experiências entre estudiosos de diferentes instituições e regiões do país e divulgar os resultados de seus estudos e pesquisas. Também era objetivo ampliar ainda mais o número de universidades brasileiras participantes e congregar um número significativo de pesquisadores.

O V Seminário Nacional Mulher & Literatura configurou-se como um evento de sucesso, devido, principalmente, à mobilização que logrou obter nos meios acadêmicos do país. E por ter permitido, também, que alunos de graduação e de pós-graduação das regiões Norte e Nordeste tivessem a oportunidade de participar de um evento nessa área, com especialistas de projeção nacional e internacional. A exemplo, portanto, dos encontros anteriores, o V Seminário contribuiu para promover o intercâmbio de experiências entre estudiosos de diferentes instituições e regiões do país, para divulgar os resultados de seus estudos e pesquisas e, ainda, para ampliar o número de universidades brasileiras participantes.

Além das Palestras, Debates e Mesas-redondas, o V Seminário contou com a presença da escritora Rachel de Queiroz que, além de autografar seu último romance - Memorial de Maria Moura - deu um importante depoimento acerca de seu trabalho literário desde o início de sua carreira, estabelecendo as relações entre essa e o contexto histórico e social brasileiro.

A presença de uma escritora do porte de Rachel de Queiroz contribuiu, sem dúvida nenhuma, para mobilizar os meios de comunicação em torno do evento e, também, para abrilhantar ainda mais o V Seminário. No dia de sua palestra, o Auditório da UFRN recebeu um público bem superior ao esperado, além de jornalistas e repórteres dos principais jornais e canais de televisão do Estado.

Na organização do V Seminário foram articuladas duas comissões: uma, que trabalhou a nível local e operacionalizou o Encontro; e outra, a nível nacional, que colaborou na divulgação e captação de recursos. A Comissão Interestadual foi composta pelos seguintes professores: Benjamin Abdala Júnior (USP/ ABRALIC), Cristina Teixeira Stevens (UNB), Heloísa Buarque de Hollanda (UFRJ/CIEC), Lúcia Helena Vianna (UFF), Maria Elisa Cevasco (USP), Maria Nilda Pessoa (UFPE), Rita T. Schmidt (UFRGS) e Zahidé L. Muzart (UFSC). E a Comissão Organizadora local, pelos professores: Constância Lima Duarte, Conceição Passeggi, Diva Cunha Pereira de Macêdo, Eduardo de Assis Duarte, Maria de Lourdes Patrini L'Abbate, Maria Elena Lamego Mattos e Vilma Queirós Sampaio F. de Oliveira.

O Evento contou com o apoio do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, do Departamento de Letras, do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem, do Núcleo "Nísia Floresta" de Estudos e Pesquisas na área da Mulher e Relações Sociais de Gênero (NEPAM) e da Reitoria da UFRN (através das Pró-Reitorias de Extens~s e de Pesquisa e Pós-Graduação). A nível nacional e internacional recebeu o apoio do CNPq, da CAPES, da FAPESP, da FAPERJ, da FAPERGS, do Conselho Britânico e da Embaixada Americana.

Os Anais do V Seminário foram publicados em 1995, e sua organização ficou a cargo de Constância Lima Duarte, coordenadora do evento e do GT naquele período. O livro tem 607 páginas numa edição primorosa e tem sido, como seus anteriores, fonte de pesquisa para todos que se interessam pela área.

O VI Seminário Nacional foi dedicado a Clarice Lispector, realizado pelo NIELM/ UFRJ, no Rio de Janeiro, de 11 a 13 de setembro de 1995. A conferência de homenagem a Clarice foi proferida pela professora Nádia Gotlib (USP), coordenadora do GT entre 1988-90. Na seqüência da programação, houve mais duas mesas redondas sobre as linhas desenvolvidas pelo GT: o resgate de escritoras brasileiras, escritoras contemporâneas do ocidente e pressupostos teórico-críticos feministas; constou, ainda, da programação sessões de comunicações. Esse encontro trouxe uma inovação com a introdução de Mini-Cursos, ministrados por professores/as estrangeiros/as convidados/as e brasileiros/as. Os trabalhos foram reunidos e publicados nos Anais do VI Seminário Nacional Mulher e Literatura (491 páginas), volume organizado por Elódia Xavier (coordenadora do GT entre 1996-98) e o grupo do NIELM, da UFRJ.

A organização do evento ficou sob a coordenação geral de Elódia Xavier que teve uma comissão organizadora e outra de apoio, nas quais participaram Luíza Lobo, Helena Parente Cunha, Maria Thereza Indiani de Oliveira, Luiz Edmundo Bouças Coutinho, Lúcia Helena, Lúcia Helena Vianna e Maria Emília Barcellos da Silva. O encontro também contou com o apoio da Direção da Faculdade de Letras, da Subreitoria de Extensão e Desenvolvimento- SR5 e da Gráfica da UFRJ, CAPES , CNPq, da Caixa Econômica Federal e da Editora Ática e da Lidador.

O VII Seminário Nacional homenageou a escritora Lygia Fagundes Telles e seguiu o mesmo formato do encontro anterior. Foi realizado na UFF, Niterói, de 22 a 24 de setembro de 1997 e teve o apoio do Programa de Pós-Graduação em Letras. As linhas temáticas privilegiadas - Mulher, história e política; Mulher, cinema, mídia e outras áreas; Literatura e crítica feminista - mostraram a literatura interagindo com outras áreas de linguagem, através dos seus mais de cem trabalhos apresentados em mesas redondas e comunicações, com participação de pesquisadoras nacionais e estrangeiros. Um dos destaques estrangeiros foi a pesquisadora e professora cubana Luisa Campusano. Entre os nacionais, um momento de intenso entusiasmo com o plenário deu-se com participação da escritora Nélida Piñon, então Presidente da Academia Brasileira de Letras, de Rosiska Darcy de Oliveira, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, e Rose Marie Muraro, editora, filósofa e escritora, além de feminista histórica. O encontro também teve a presença das escritoras Heloisa Maranhão e Helena Parente Cunha.

A organização do encontro foi mais ampla que a do anterior pois contou com quatro comissões: Executiva, Organizadora, Consultiva e de Apoio. Das duas primeiras participaram: Eurídice Figueiredo, Lívia Reis, Lúcia Helena Vianna e Maria Bernadette Porto, Lúcia Helena, Suely Gomes da Costa e Sylvia Paixão. Da terceira participaram: Angélica Soares (UFRJ/ NIELM), Ana Lúcia Gazola (UFMG), Constância Lima Duarte (UFMG), Elódia Xavier (UFRJ/ NIELM), Heloísa Buarque de Hollanda (UFRJ/ PACC), Márcia navarro (UFRGS), Maria Consuelo Cunha Campos (UERJ), Nádia Gotlib (USP), Rita Terezinha Schmidt (UFRGS), Susana B. Funck (UFSC), Valéria de Marco (USP) e Zahidé Muzart (UFSC). A comissão de apoio contou com Adriana Maciel, Dionor Antunes Ferreira e Jacqueline Paul Fróes. Financiaram o evento a CAPES, CNPq, PROPP, PROEX, NUTEM e COPEX.

O resultado do VII Seminário encontra-se publicado em Mulher e Literatura: VII Seminário (EDUFF/ Sette Letras, 791 páginas), em dois volumes cuidadosamente organizados por Lívia de Freitas Rei, Lúcia Helena Vianna e Maria Bernadette Porto.

O VIII Seminário Nacional aconteceu em Salvador, no Instituto de Letras da UFBA, de 27 a 29 de setembro de 1999 e homenageou as escritoras baianas da geração de 60, Helena Parente Cunha e Míriam Fraga, que fizeram belíssimos depoimentos acerca de suas experiências enquanto escritoras. O evento foi uma promoção do Instituto de Letras, Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística e NEIM, unidades da UFBA e mais o apoio da REDOR (Rede Norde-Nordeste de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher e Relações de Gênero)

O formato do VIII Seminário constituiu-se de mesas redondas, sendo que a primeira contou com a participação de ex-coordenadoras do GT, Nádia Batella Gotlib (1987-89), Susana Bornéo Funck (1989-92); Rita Terezinha Schmidt (1992-94) e Constância Lima Duarte (1994-96) que deram seus depoimentos sobre a história do GT e da atual situação dos estudos sobre a mulher na literatura. Esta mesa foi coordenada por Izabel Brandão, então à frente do GT. A segunda mesa foi sobre "A literatura na perspectiva interdisciplinar" e contou com a participação de pesquisadoras integrantes do NEIM (Núcleo de Estudos interdisciplinares sobre a Mulher), a saber: Elizete Passos (coordenadora da REDOR), Ana Alice Costa, Sílvia Lúcia Ferreira, Cecília Sardenberg e Rosana Patrício. Coordenou esta mesa a professora Luzilá Gonçalves Ferreira (UFPE), vice-coordenadora do GT à época. A novidade desta mesa foi trazer a leitura interdisciplinar sobre a mulher na literatura em áreas tão diversas quanto educação, política, saúde e antropologia.

O encontro também contou com mesas temáticas (onze),uma mesa de análise e depoimento das escritoras convidadas, lançamento de livros, sessões paralelas de comunicações e mini-cursos (três). As pesquisadoras responsáveis pelos minicursos foram: Claudia de Lima Costa (UFSC) (mini-curso "Perspectivas feministas e estudos culturais); Norma Telles (PUC-SP) (minicurso "História das mulheres na literatura"); e a convidada estrangeira, a professora cubana, Nara Araújo, atualmente radicada no México, que ministrou o mini-curso "A teoria crítica de perspectiva feminista". Para a mesa de análise e depoimento das escritoras participaram Angélica Soares (UFRJ) e Elódia Xavier (UFRJ), mesa esta coordenada por Evelina Hoisel (UFBA), atual presidente da ABRALIC. Mantendo já a tradição, houve também uma reunião do GT, que redefiniu as linhas temáticas do grupo bem como discutiu outras questões pertinentes ao Plano de Trabalho do GT. As atividades do Seminário foram encerradas com o lançamento conjunto de sete livros, todos relativos a área do evento.

Como o evento anterior, foram mantidas quatro comissões: Organizadora, Técnico-Científica, de Apoio e Consultora. Das duas primeiras participaram: Ivia Alves (coordenadora do evento), Elizete Passos, Lúcia Leiro, Milena Britto, Célia Marques Telles, Ana Alice Costa e Nancy Rita Vieira. A Comissão Consultora contou com Zahidé Muzart (UFSC), Constância Lima Duarte (UFMG), Elódia Xavier (UFRJ) e Izabel Brandão (UFAL). Finalmente, da Comissão de Apoio participaram: Franklânia Reis Freitas, Carla Patrícia Santana, Gilmara Miranda (todas bolsistas de IC), além de Lídia Carlos e Milena Brito. O apoio financeiro para a realização do encontro foi da CAPES, CNPq, da UFBA, do Instituto de Letras (PPGLL), da Pro-Reitoria de Extensão, da editora da UFBA, da Universidade de Feira de Santana, da Universidade de Salvador, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB/Alagoinhas) e da Fundação Clemente Marinai.

As atas do VIII Seminário estão sendo organizadas por Ivia Alves e terão dois formatos: um eletrônico sob a forma de CD-ROM, com todas as comunicações apresentadas, e um impresso sob a forma de livro com os melhores trabalhos, que foram selecionados por uma comissão do GT especialmente formada para este fim.

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4 Este texto é uma compilação de vários outros escritos por: Constância Lima Duarte (coord. do GT entre 1998-2000); Nádia B. Gotlib, (coord. do GT entre 1987-89); Elódia Xavier (coord. do GT entre 1996-98), Ivia Alves (coordenadora do VIII Seminário Nacional, realizado em Salvador, de 27 a 29 de setembro de 1999), e Izabel Brandão (atual coordenadora).
5 Organon, no 16, Porto Alegre, Instituto de Letras, 1989, 279 pp., organizado por Rita Terezinha Schmidt (coord. do GT entre 1992-96).
6 Organizado por Lúcia Helena Vianna (vice-coord. na gestão de Elódia Xavier, 1996-98). Niterói; Coord. de Pós-Graduação em Letras da UFF; ABRALIC; 1992, 272 pp.

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III - COORDENADORAS DO GT

 
BIÊNIO NOME DA COORDENADORA INSTITUIÇÃO E-MAIL
1985-87 ANA LÚCIA GAZOLA

UFMG

vice-reitora@reitoria.ufmg.br

1987-89 NÁDIA BATTELA GOTLIB

USP

nadiagot@highnet.com.br
1989-92 SUSANA BORNÉO FUNCK

UFSC

sbfunck@floripa.com.br
1992-94 RITA TEREZINHA SCHMIDT

UFRGS

ritats@vortex.ufrgs.br
1994-96 CONSTÂNCIA LIMA DUARTE

UFRN

constancia@usa.net
1996-98

ELÓDIA XAVIER &
LÚCIA HELENA VIANNA (vice-coordenadora)

UFRJ
UFF

elodia@centroin.com.br
lhvianna@domain.com.br

1998-2000

IZABEL F. BRANDÃO &
LUZILÁ G. FERREIRA (vice-coordenadora)

UFAL
UFPE

izabel@fapeal.br
luzila@ipadnet.com.br

2000-2002

ZAHIDÉ L. MUZART & 
SIMONE P. SCHMIDT (vice-coordenadora)


UFSC

zahide@floripa.com.br
simones@cce.ufsc.br

2002-2004

PEONIA VIANA GUEDES & 

SANDRA REGINA GOULART ALMEIDA

 

UERJ

UFMG

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